Porque Dele e por Ele, e para Ele, são todas as coisas; glória, pois, a Ele eternamente, amém.
Romanos 11:36

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Daniel PC- Violão e Voz

Daniel PC- Violão e Voz
Hoje é um dia especial, estou lançando meu novo cd, há Deus seja a Honra, Glória e Louvor eternamente (I Pedro 4:11).
O calvinista - John Piper

John Piper escreveu este poema chamado "O calvinista" para capturar um vislumbre de intersecção soberana de Deus com a vida de um homem pecador. Não há nenhuma parte da vida em que a grandeza de Deus não penetra profundamente. Eu quero ajudá-lo a sentir isso. Minha oração é que este grande e glorioso Deus soberano estará diante de sua palavra e de nossas vidas com tanta força convincente , que, mais cedo ou mais tarde , os reinos da terra se tornará o reino do nosso Deus, por Jesus Cristo.
Neste poema Piper sintetiza a vida sob a cosmovisão Calvinista: reconhecer a glória de Deus até nas entrelinhas dos momentos mais banais.

Confira o vídeo:
OBS: Pira: Fogueira em que os antigos incineravam cadáveres; vaso em que arde um fogo simbólico. Soli Deo Gloria !

Salmo 19- Daniel PC

Depois da escuridão, a luz!

Post Tenebras Lux!


Desde seus dias de estudante em Paris, Calvino fora frágil e com frequência doente. Seus últimos anos foram marcados por um sofrimento ininterrupto. No início de 1564, numa carta a médicos franceses que lhe haviam enviado alguns remédios, ele enumerou as doenças físicas que o afligiam: artrite, pedras nos rins, hemorróidas, febre, nefrite, indigestão severa (“qualquer alimento que eu tome adere-se como cola a meu estômago”), cólicas, úlceras, emissão de sangue em vez de urina. “Todas essas enfermidades, por assim dizer, atacam-me em bando."
Dois dias antes de escrever essas palavras, ele havia pregado o que mostrou ser seu último sermão, carregado para o púlpito de São Pedro em sua cama, Quando o fim estava bem próximo, os ministros de Genebra aglomeraram-se em sua casa para ouvir sua mensagem de despedida. Ele relembrou o curso turbulento de sua carreira, tentou colocar sua própria vida em perspectiva.


Quando cheguei aqui pela primeira vez, quase não havia nenhuma organização.
Pregava-se o evangelho, e isso era tudo. Todas as coisas estavam transtornadas.
Atravessei conflitos espantosos. Fui saudado com zombarias à noite diante de minha própria porta com 50 ou 60 ataques. Imaginem como isso afetou um estudio pobre e tímido como sou e, confesso, sempre fui. Então, expulsaram-me da cidade, e em meu retorno de Estraburgo tive tantas dificuldades quanto antes para realizar meu ofício. As pessoas lançavam seus cães em cima de mim, e eles agarravam minhas roupas e minhas pernas. […] Quando fui ao conselho dos Duzentos para apaziguar um tumulto, receberam-me com gritos para me retirar. “Não vou fazer nada disso”, repliquei. “Matem-me, tratantes, se quiserem. Meu sangue testemunhará contra vocês, e estes bancos exigirão isso de vocês.” Assim será com vocês, meus irmãos, pois estão em meio a um povo perverso e infeliz. Por mais pessoas de boa vontade que haja, é um povo ímpio e perverso, e vocês experimentarão sua perversidade quando eu tiver ido. Mas sejam corajosos e fortaleçam-se; pois Deus fará uso desta igreja, e mantê-la-á, e presevá-la-á. Cometi muitos erros com os quais vocês terão de conformar, e tudo o que fiz não valeu de nada. Os ímpios vão tirar proveito dessas palavras. Mas a respeito de tudo o que fiz não vale nada e que sou uma criatura miserável. Isso, porém, posso dizer, que sempre desejei fazer o bem e meus erros sempre me desagradaram, e o temor de Deus está arraigado em meu coração. De modo que vocês podem dizer que minhas intenções foram boas, e oro para que o mal me seja perdoado, e, se tiver havido alguma coisa boa, que vocês se ajustem a ela e a sigam.
A respeito de minha doutrina, ensinei fielmente e Deus me deu a graça de escrever. Fiz isso do modo mais fiel possível e nunca corrompi uma só passagem das Escrituras, nem conscientemente as distorci. Quando fui tentado a requintes, resisti à tentação e sempre estudei a simplicidade. Nunca escrevi nada com ódio de alguém, mas sempre coloquei fielmente diante de mim o que julguei ser a glória de Deus.


Em 2 de maio, escreveu sua última carta, uma despedida final a seu velho amigo Farel: “Visto que é da vontade de Deus que você viva mais que eu no mundo, viva ciente de nossa intimidade, a qual, tendo sido útil para a igreja de Deus, tem seus frutos esperando-nos no céu. [..] É suficiente para mim viver na vida quanto na morte”. Em 27 de maio, seus sofrimentos tiveram fim. Beza, que esteve com ele até o fim, escreveu: “Nesse dia, com o crepúsculo, mais brilhante luz que já houve no mundo para orientação da igreja de Deus foi levada de volta para os céus”.
O elogio emocionado de Beza parece reverter o mote do reformador de Genebra, post tenebras lux ­­­- depois da escuridão, a luz - para post lucem tenebrae - depois da luz, as trevas. Quando se visita Genebra hoje, vê-se o imponente Monumento da Reforma, em que Calvino se encontra como estátua, maior do que o tamanho real, tendo de ambos os lados estátuas de reformadores e estadistas famosos. (Lutero e Zuínglio mereceram uma mensão honrosa, mas nenhuma estátua!) De alguma forma, esse monumento, por mais impressionante que seja, parece inadequado para o home a quem se pretendeu comemorar.
Calvino não buscou sua própria glória, mas morreu confessando que "tudo o que fiz não valeu de nada […] sou uma criatura miserável". Calvino foi enterrado no cemitério comum. Devido a seu próprio pedido, não se ergueu lápide alguma sobre o lugar de sua sepultura.

Trecho retirado do livro Teologia dos Reformadores de Timothy George, editora Vida Nova. Pg 246

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João Calvino.

Uma Paixão pela Supremacia de Deus

por

John Piper


“Pois nele foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra... Tudo foi criado por meio dele e para ele” (Cl 1.16)

As Escrituras não poderiam ser mais claras. Tudo existe para Cristo, para magnificar nas mentes das pessoas o seu valor, a sua verdade, a sua grandeza. Esta verdade fundamental é o ponto de partida para que se possa verdadeiramente compreender a vida. Se perdemos este ponto, perdemos todo o restante. Se o estabelecermos corretamente nas nossas cabeças e nos nossos corações, nossas vidas se tornarão naquilo que foram destinadas a ser – ou seja, uma demonstração neste mundo da beleza, do valor e da grandeza de Deus.

Isto nos leva a uma conclusão muito simples: se quisermos que nossas vidas sejam aquilo que Deus planejou que fossem, no mundo e na igreja, precisamos realmente conhecer a Deus. A maioria das pessoas não trazem à sua vida uma visão muito grande de Deus – de quem ele é, como é e como age. Na verdade, não há praticamente visão alguma de Deus na nossa sociedade. Fora das paredes da igreja, ele é simplesmente ausente e assustadoramente ignorado.

Você fica espantado ao se levantar de manhã, abrir o jornal, e encontrar uma seção enorme sobre esportes, porém nenhuma intitulada “Deus”? Provavelmente não, porque está tão acostumado à negligência de Deus na nossa sociedade. Estamos totalmente adaptados à ausência do temor de Deus na televisão, na imprensa, no mundo da publicidade.

Que milagre! Esquecemo-nos de Deus, entretanto ainda estamos respirando ao invés de sermos esmagados sob a ira eterna! De forma inacreditável, provavelmente ainda vamos acordar vivos amanhã de manhã. “Ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons.” Pasme-se e admire!

Na igreja também, ao invés da nossa visão de Deus ser grandiosa, é desprezível; em vez de ser central, é secundária; vaga quando deveria ser clara, impotente em vez de ser determinante, insípida no lugar de ser encantadora; e tudo isso de tal forma que o conceito de se viver para a glória de Deus passou a ser um pensamento sem conteúdo. As palavras podem sair das nossas bocas, mas pergunte ao cristão normal o que sabe a respeito da glória deste Deus para quem pretende viver, e a resposta será extremamente breve.

Nossas igrejas não estão cheias de Deus nem das particularidades da sua glória, só transmitem as mais inócuas generalidades. O resultado é que as pessoas não estão cheias das coisas que realmente deveriam causar impacto:

· A glória de sua eternidade que ultrapassa a capacidade da nossa mente ao pensar que ele não tem começo nem fim;

· A glória de Seu conhecimento que faz a maior biblioteca do mundo parecer uma caixinha de fósforos e a Física Quântica semelhante a uma cartilha de primeiro ano;

· A glória de Sua sabedoria que nunca pôde ser aconselhada por homem algum, nem jamais poderá ser;

· A glória de Sua autoridade sobre céu, terra e inferno, sem a qual nenhum homem ou demônio pode se mover por um centímetro que seja;

· A glória de Sua providência, sem a qual nenhum pássaro cai no chão em parte alguma do mundo, nem fio de cabelo em cabeça alguma se embranquece;

· A glória de Sua palavra que sustenta todo o universo e todos os átomos e galáxias que nele estão;

· A glória de Seu poder para andar sobre a água, curar os enfermos, acalmar as tempestades, ou levantar os mortos;

· A glória de Sua pureza, de nunca haver pecado ou ter abrigado sequer uma atitude perversa ou pensamento malicioso;

· A glória de Sua fidelidade, de jamais ter quebrado sua palavra ou ter deixado uma única promessa cair no chão;

· A glória de Sua justiça, de considerar todas as dívidas morais do universo quitadas, seja na cruz ou no inferno;

· A glória de Sua paciência, para suportar a lentidão na santificação de John Piper;

· A glória de Sua obediência de servo, para abraçar a dor mais excruciante já concebida pela humanidade;

· A glória de Sua ira que um dia será revelada com tal força que homens, mulheres e crianças pedirão que pedras os esmaguem para não precisarem olhar no rosto do Cordeiro;

· A glória de Sua graça que justifica os ímpios;

· A glória de Seu amor que faz tudo isto por nós enquanto ainda somos pecadores.

Enquanto você não tiver uma paixão pela supremacia de Deus, sua vida não poderá ser vivida para a glória de Deus.

Enquanto as particularidades dos atributos de Deus não forem compreendidas, ao invés de serem meramente generalizadas, enquanto ele não for apresentado como magnificamente mais atraente do que qualquer outra coisa no mundo, nenhum de nós poderá viver uma vida para a glória de Deus, porque ninguém o conhecerá. Alguns talvez cheguem a usar a terminologia certa, mas não o verão em verdade. Não poderão falar dele para seus filhos, para seus vizinhos, ou para seus cônjuges, porque não haverá conteúdo em todas suas grandiosas palavras.

A missão que constitui a razão da minha existência é espalhar uma paixão pela supremacia de Deus em todas as coisas, para que todos tenham a única verdadeira alegria. Se eu cair morto, morrerei executando a minha missão. Se eu viver mais vinte anos, espero que no final ainda esteja cumprindo esta missão. Penso que é por isto que você existe também. Você não precisa usar minhas palavras, mas é por esta razão que todos nós estamos neste planeta Terra. A menos que partilhe desta paixão pela supremacia de Deus, sua vida não será para a glória de Deus.

Deus é mais glorificado em nós quando nós estamos mais satisfeitos nele.
JÁ NASCEU DE NOVO?

Textos de J. C. Ryle (10 de Maio de 1816 - 10 de Junho de 1900)

Esta é uma das questões mais importantes do cristianismo. O próprio Jesus disse: “Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3).
Não é suficiente responder: “Eu pertenço a uma igreja cristã; portanto, suponho que já nasci de novo”. Milhões de cristãos nominais não manifestam nenhuma das características e sinais de serem pessoas nascidas de novo, dos sinais e características que as Escrituras nos apresentam.
GOSTARIA DE CONHECER AS MARCAS DISTINTIVAS E AS CARACTERÍSTICAS DE ALGUÉM QUE NASCEU DE NOVO?
Então, preste atenção; mostrá-las-ei utilizando a Primeira Carta de João.
Primeiramente, João afirma: “Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado… todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado” (1Jo 3.9; 5.18).
Uma pessoa nascida de novo, ou seja, regenerada, não comete o pecado como um hábito. Não peca mais com o seu coração, a sua vontade e toda a sua inclinação natural, como o faz a pessoa não-regenerada. Havia um tempo em que a pessoa nascida de novo, ou seja, regenerada não se preocupava com o facto de que suas atitudes eram pecaminosas ou não, um tempo em que não se entristecia após fazer o mal. Não havia qualquer luta entre ela e o pecado; eram amigos. Agora a pessoa nascida de novo odeia o pecado, foge dele, combate-o, considera-o a sua maior praga, geme sob o fardo da presença dele em seu ser, lamenta quando cai diante da influência do pecado e deseja intensamente ser completamente liberta dele. Em resumo, o pecado não lhe causa mais satisfação, tampouco é algo com o que ela se mostre indiferente. O pecado tornou-se para a pessoa nascida de novo uma coisa abominável, que ela detesta. Ela não pode evitar a presença do pecado. Se disser que não tem pecado, não haverá verdade nas suas palavras (1Jo 1.8). Mas a pessoa regenerada pode afirmar com sinceridade que odeia o pecado e que o grande desejo da sua alma é não mais cometê-lo, de maneira alguma. O indivíduo regenerado sabe, conforme o disse Tiago, que “todos tropeçamos em muitas coisas” (Tg 3.2). Todavia, ele pode afirmar com sinceridade, diante de Deus, que tais coisas lhe causam tristeza e aflição diariamente e que toda a sua natureza não as aprova.
Apresentei-lhe esta característica da pessoa nascida de novo. O que o Apóstolo João escreveu, aplica-se à sua vida? Já nasceu de novo?
Em segundo lugar, João afirma: “Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus” (1Jo 5.1).
Uma pessoa nascida de novo, ou seja, regenerada, crê que Jesus Cristo é o único Salvador por intermédio de Quem a sua alma pode ser perdoada; crê que Ele é o Ser Divino que Deus, o Pai, designou para este propósito e que, além dEle, não existe outro Salvador. Em si mesmo, o indivíduo regenerado não vê nada, excepto indignidade; porém, em Cristo, a pessoa nascida de novo contempla o fundamento para a sua mais plena confiança e, confiando nEle, ela crê que os seus pecados foram todos perdoados. A pessoa regenerada crê que, por causa da obra e da morte de Cristo consumada na cruz, é considerada justa aos olhos de Deus e pode aguardar a morte e o juízo sem ficar alarmada. Ela pode ter as suas dúvidas e temores. Às vezes, ela revelará os seus sentimentos como alguém que não possui a verdadeira fé. Mas, perguntemos-lhe se suas esperanças da vida eterna estão fundamentadas na sua própria bondade, nas suas realizações, nas suas orações, no seu ministério, na sua igreja, observemos o que ela responderá. Pergunte-lhe se ela abandonará Cristo e se colocará a sua confiança em qualquer outro caminho. Esse indivíduo responder-lhe-á que, ainda que esteja realmente sentindo-se fraco e mau, ele não desistirá de Cristo, em troca de todo este mundo. Dirá que em Cristo encontra a preciosidade e a doçura para sua alma, uma preciosidade e uma doçura que não pode ser encontrada em nenhuma outra pessoa, e que, portanto, ele tem de se apegar a Cristo.
Apresentei-lhe esta característica da pessoa nascida de novo. O que o Apóstolo João escreveu aplica-se à sua vida? Já nasceu de novo?
Em terceiro lugar, João afirma: “Todo aquele que pratica a justiça é nascido dEle” (1Jo 2.29).
A pessoa nascida de novo, ou seja, regenerada, vive em santidade. Esforça-se para viver de acordo com a vontade de Deus, praticar aquilo que Lhe agrada e evitar aquilo tudo o que Ele odeia. O objectivo e o desejo da pessoa regenerada é amar a Deus, com todo o seu coração, alma, entendimento e força, e amar o seu próximo como a si mesmo. O regenerado deseja estar continuamente olhando para Jesus, como o seu exemplo, bem como o seu Salvador, e demonstrar que é amigo dEle por praticar aquilo que Ele ordena. Sem dúvida, o indivíduo regenerado não é perfeito. Ele mesmo dirá isso, mais rapidamente do que qualquer outra pessoa. Ele geme sob o fardo da corrupção íntima, que o aflige.

A pessoa nascida de novo encontra no seu íntimo um princípio mau que constantemente luta contra a graça, procurando afastá-la de Deus. Mas o regenerado não concorda com este princípio, ainda que não possa evitar a sua presença. Apesar de todas as suas falhas, a santidade é a inclinação e a propensão normal do seu ser — as suas realizações, os seus interesses e os seus hábitos são santos. Apesar de todos os seus balanços e guinadas, assim como um navio lutando contra vento contrário, o curso geral da sua vida tem apenas uma direcção — por Deus e para Deus. E, sem embargo, às vezes ele se sinta tão abatido, a ponto de questionar se é realmente cristão, ele sempre será capaz de afirmar, assim como John Newton: “Não sou o que deveria ser; não sou o que espero ser no mundo vindouro, mas, apesar disso, já não sou mais o que costumava ser e, pela graça de Deus, sou o que sou”.
Apresentei-lhe esta característica da pessoa nascida de novo. O que o Apóstolo João escreveu, aplica-se à sua vida? Já nasceu de novo?
Em quarto lugar, João afirma: “Sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos” (1Jo 3.14).
Uma pessoa nascida de novo, ou seja, regenerada, tem um amor especial por todos os discípulos de Cristo. Assim como seu Pai, que está no céu, o indivíduo regenerado ama todos os homens com um grande amor geral, mas possui um amor especial por aqueles que têm o mesmo entendimento que ele. Assim como o seu Senhor e Salvador, assim também o regenerado ama os piores pecadores e pode até chorar por eles; mas ele tem um amor especial por aqueles que são crentes. A pessoa nascida de novo nunca se sente tão feliz quando está entre os santos, os excelentes da terra. Outros, talvez, valorizem a cultura, a inteligência, a riqueza ou a posição na sociedade em que vivem. O homem regenerado valoriza a graça de Deus. Aqueles que mais desfrutam da graça divina e mais se assemelham a Cristo, são esses os que o regenerado ama com mais intensidade. Ele percebe que tais pessoas, assim como ele, são membros da mesma família; sente que são soldados do mesmo exército, companheiros de jornada, viajando pelo mesmo caminho. O indivíduo regenerado entende tais pessoas, e elas compreendem-no. O regenerado e tais pessoas, podem ser diferentes em vários aspectos — na nacionalidade, na posição social e nos bens materiais. O que importa? Eles constituem o povo do Senhor Jesus Cristo. São filhos e filhas de Deus. Portanto, o regenerado não pode deixar de amá-los.
Apresentei-lhe esta característica da pessoa nascida de novo. O que o Apóstolo João escreveu aplica-se à sua vida? Já nasceu de novo?
Em quinto lugar, João afirma: “Todo o que é nascido de Deus vence o mundo” (1Jo 5.4).
Uma pessoa nascida de novo, ou seja, regenerada, não torna a opinião do mundo como o seu padrão do que é certo ou errado. Ele não se preocupa por andar na direcção contrária aos caminhos, opiniões e costumes do mundo. “O que os outros dirão?” não será uma questão importante para ele. O regenerado vence o mundo com amor. Ele não encontra prazer nas coisas que, muitos ao seu redor, chamam como a felicidade. A pessoa regenerada não pode alegrar-se nas alegrias das pessoas mundanas; tais alegrias fatigam-na, ela considera-as coisas vãs, inúteis e indignas de um ser mortal. O regenerado vence o temor do mundo. Ele tem contentamento em fazer muitas coisas, desnecessárias, no conceito de muitos que vivem ao seu redor. Estes zombam do regenerado, mas ele não se abala. As pessoas do mundo ridicularizam-no, porém ele não desanima. A pessoa nascida de novo deseja muito receber louvor da parte de Deus e não da parte dos homens. O regenerado receia ofender a Deus, mais do que ofender os homens. Ele já calculou o preço; a ofensa vinda da parte dos homens é algo insignificante para o regenerado, não importando, se ele será louvado ou criticado. Ele não é jamais escravo da moda e dos costumes do mundo. Agradar ao mundo é uma consideração secundária para o nascido de novo. O seu primeiro objectivo é agradar a Deus.
Apresentei-lhe esta característica da pessoa nascida de novo. O que o Apóstolo João escreveu aplica-se à sua vida? Já nasceu de novo?
Em sexto e último lugar, João afirma: “O que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo” (1Jo 5.18 - ARC).
Uma pessoa nascida de novo, ou seja, regenerada, é muito cuidadosa a respeito da sua própria alma. Ela esforça-se, não apenas a manter-se limpa do pecado, mas também de tudo que possa induzi-la a praticá-lo. É cuidadosa a respeito das suas companhias. Sente que más conversações corrompem o coração e que é mais fácil apegarmo-nos ao mal do que ao bem. O nascido de novo é cuidadoso no que se refere ao uso do seu tempo; o seu maior desejo é utilizá-lo com proveito. Também é cuidadoso a respeito das amizades que estabelece; para ele, não basta que as pessoas sejam bondosas, amáveis e moderadas. Tudo isto é muito bom, mas tais pessoas abençoarão a sua alma? O regenerado é cuidadoso a respeito de seu comportamento e hábitos quotidianos. Procura lembrar-se de que o seu coração é enganoso, que o mundo está repleto de impiedade e que o Diabo se esforça para prejudicá-lo. Portanto, a pessoa nascida de novo estará sempre em vigilância. Deseja viver como um soldado no campo do inimigo, estar continuamente vestido com sua armadura e preparada para as tentações. Descobre, por experiência própria, que a sua alma está constantemente entre inimigos e estuda meios para ser uma pessoa de oração, vigilante e humilde.
Apresentei-lhe também esta característica da pessoa nascida de novo. O que o Apóstolo João escreveu aplica-se à sua vida? Já nasceu de novo?
Estas são as seis grandes características do ser nascido de novo. Todos aqueles que leram até aqui devem considerá-las novamente com atenção e guardá-las no seu coração.
Sei que em muitas pessoas existe ampla diferença na profundidade e na distinção dessas características. Em algumas delas essas características não podem ser facilmente distinguidas, visto que se manifestam com bastante fraqueza, imperfeição e obscuridade. Noutras, elas evidenciam-se com tanto ímpeto, vivacidade, clareza e nitidez, que podem ser reconhecidas prontamente. Algumas dessas características são visíveis em algumas pessoas; e outras dessas características, são mais visíveis em outras pessoas. Raramente acontece que todas essas características se manifestam na mesma proporção numa única alma. É claro que concordamos com todos esses factos.
No entanto, apesar de concordarmos com isso, aqui delineamos as seis características de ser nascido de Deus. Um Apóstolo inspirado escreveu numa carta geral à Igreja de Cristo, mostrando como é uma pessoa nascida de Deus: não vive na prática do pecado, crê que Jesus é o Cristo, pratica a justiça, ama os seus irmãos, vence o mundo e conserva-se puro. Leitor, observe tudo isso.
Agora, o que diremos diante dessas coisas? O que dizem elas àqueles que advogam a doutrina de que regeneração consiste apenas na admissão aos privilégios exteriores da igreja? Posso chegar apenas a uma conclusão: somente são nascidas de novo as pessoas que manifestam essas seis marcas. Todos os homens e mulheres que não as possuem ainda não nasceram de novo. Declaro, com ousadia, que esta é a conclusão à qual o Apóstolo desejava que chegássemos.
Leitor, tem estas seis características? Já nasceu de novo?